O Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) divulga as Estatísticas do Turismo 2025, uma publicação anual contendo os resultados definitivos da atividade turística na Região Autónoma dos Açores relativos ao ano de 2025, bem como um conjunto de análises a esta importante dimensão da realidade açoriana.
Os principais resultados para a generalidade dos meios de alojamento são igualmente aqui apresentados nesta nota informativa, não dispensando a consulta da publicação em apreço para maior detalhe e informação desagregada por segmento e por ilha.
De acordo com os resultados do Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e outros alojamentos (IPHH), do Inquérito à Permanência de Campistas nos Parques de Campismo (IPCAMP) e do Inquérito à Permanência de Colonos nas Colónias de Férias (IPCOL), e considerando a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, parques de campismo e pousadas da juventude), em 31 de julho de 2025, estavam ativos 4 485 estabelecimentos na Região Autónoma dos Açores (RAA), mais 10,6% do que em 31 de julho de 2024.
No ano de 2025, para a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, parques de campismo e pousadas da juventude), registaram-se 4,6 milhões de dormidas, valor superior em 4,6% ao registado no ano de 2024.
Tabela 1 – Hotelaria, Alojamento local, Turismo no espaço rural, Parques de campismo e Pousadas da juventude: Hóspedes (N.º), Dormidas (N.º) e Estada média (N.º noites), RAA.
O mercado nacional (residentes em Portugal), no qual se inclui o da RAA, garantiu 1,4 milhões de dormidas (30,0% do total), e decresceu 1,2% em relação ao ano anterior, enquanto as dormidas dos mercados externos (residentes no estrangeiro) foram de 3,2 milhões (70,0% do total) e aumentaram 7,3% face a 2024.
Figura 1 – Variação homóloga das dormidas (%) na generalidade dos meios de alojamento (Total) e por mercados (nacional, externos), RAA.
No ano de 2025, para a generalidade dos meios de alojamento turístico (Total), a evolução da variação homóloga das dormidas apresentou uma tendência global de desaceleração ao longo do ano, atingindo valores negativos a partir de outubro. Esta evolução foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento dos mercados externos, que representaram a maior proporção do total das dormidas entre março e novembro de 2025. Em particular, estes mercados evidenciaram uma trajetória pronunciadamente descendente da variação homóloga das dormidas ao longo do ano 2025, mantendo-se, ainda assim, os valores em terreno positivo entre abril e outubro, antes de se registarem valores marcadamente negativos nos últimos dois meses do ano. Por sua vez, o mercado nacional registou, em 2025, variações homólogas negativas desde o final do primeiro trimestre, embora sem grandes oscilações, exceto no último mês do ano, onde a variação homóloga apresentou sinais de recuperação, regressando a terreno positivo.
Relativamente ao número de hóspedes, este foi de 1,4 milhões, apresentando uma taxa de variação anual positiva de 3,8%. O mercado nacional (residentes em Portugal), garantiu 507,7 milhares de hóspedes (36,5% do total) e cresceu 0,2% em relação ao ano anterior, e os hóspedes dos mercados externos (residentes no estrangeiro) foram de 883,8 milhares (63,5% do total) e aumentaram 5,9% face a 2024.
A estada média situou-se nas 3,30 noites, com um aumento anual de 0,8%. Para o mercado nacional (residentes em Portugal) a estada média foi de 2,71 noites (-1,4% que em 2024) e para os mercados externos (residentes no estrangeiro) foi de 3,64 noites (+1,3% face a 2024).
Da generalidade dos meios de alojamento, o alojamento local foi o que apresentou permanência média mais elevada (3,87 noites) seguido do turismo no espaço rural (3,42 noites), hotelaria (2,95 noites), parques de campismo (2,62 noites) e pousadas da juventude (2,23 noites).
Figura 2 – Estada média para a generalidade dos meios de alojamento, RAA (2025).
Considerando a generalidade dos meios de alojamento, a hotelaria concentrou 50,3% do total de dormidas na RAA em 2025 (2,3 milhões de dormidas), seguindo-se o alojamento local com 43,3% (2,0 milhões de dormidas), o turismo no espaço rural com 4,8% (219,8 mil dormidas), os parques de campismo com 0,9% (41,7 mil dormidas) e as pousadas da juventude com 0,6% (28,2 mil dormidas).
Figura 3 – Peso das dormidas (%), por tipo de estabelecimento, para a generalidade dos meios de alojamento, RAA (2025).
A análise da evolução da variação homóloga das dormidas por tipo de estabelecimento de alojamento turístico revela que, em 2025, a hotelaria apresentou uma trajetória globalmente descendente no primeiro semestre, atingindo inclusivamente o terreno negativo em junho, evoluindo depois para um segundo semestre relativamente estável, onde, após uma ligeira e breve recuperação em julho para terreno positivo, as variações homólogas permaneceram ligeiramente negativas até ao final do ano. Relativamente ao alojamento local, a variação homóloga das dormidas evidenciou também, em 2025, uma trajetória globalmente descendente, mantendo valores positivos durante a maior parte do ano, mas culminando em valores negativos nos últimos dois meses. O turismo no espaço rural apresentou igualmente uma tendência descendente da variação homóloga das dormidas ao longo de 2025, registando valores positivos relativamente elevados na primeira metade do ano, que diminuíram progressivamente até atingirem valores negativos no último trimestre. Nos parques de campismo, a evolução da variação homóloga das dormidas manteve se moderadamente estável na maior parte de 2025, em terreno positivo nos primeiros sete meses do ano, passando posteriormente a registar alguma oscilação entre variações positivas e negativas; contudo, no último mês do ano, observou-se um valor excecionalmente elevado, explicado pelo reduzido número de dormidas registado no mês homólogo nos parques de campismo. Nas pousadas da juventude verificaram-se variações homólogas negativas das dormidas desde março de 2025, embora apresentando um comportamento estável ao longo do ano.
Figura 4 – Variação homóloga das dormidas (%) por tipo de estabelecimento de alojamento turístico, RAA (2024-2025).
Analisando os principais mercados externos (residentes no estrangeiro), em 2025, os 8 principais mercados externos (residentes no estrangeiro) representaram 74,6% do subtotal – dormidas de residentes no estrangeiro, constituindo a Alemanha o maior mercado emissor, com 524,4 mil dormidas (16,3% do subtotal i – dormidas de residentes no estrangeiro para a generalidade dos meios de alojamento) e um crescimento anual de 12,2%. Os Estados Unidos da América foram o segundo principal mercado emissor, com 490,1 mil dormidas (15,2% do subtotal i) e uma variação anual positiva de 1,4%, seguindo-se a Espanha, com 441,3 mil dormidas (13,7% do subtotal i) e um acréscimo anual de 2,6%.
Figura 5 – Peso (%) e variação anual (%) das dormidas dos 8 principais mercados externos para a generalidade dos meios de alojamento, RAA (2025).
Em 2025, os mercados de Israel (+51,0%), Polónia (+41,3%) e Hungria (+30,4%) apresentaram as maiores variações anuais positivas. Por outro lado, verificaram se decréscimos anuais nos mercados dos Países Baixos (-4,8%), Bélgica ( 4,0%), Eslováquia (-1,6%) e Dinamarca (-1,2%).
Tabela 2 – Hotelaria, Alojamento local, Turismo no espaço rural, Parques de campismo e Pousadas da juventude: Dormidas segundo o país de residência habitual (N.º), RAA.
A análise evolutiva anual da dependência dos mercados internacionais, nomeadamente das dormidas por mercado emissor no total das dormidas da generalidade dos meios de alojamento, entre 2019 e 2025, revela, em termos globais, uma forte dependência dos mercados externos (residentes no estrangeiro) no total das dormidas, que se destaca, em 2025, com a maior contribuição dos mercados internacionais (+10,5 p.p. face a 2019 e +1,8 p.p. face a 2024) e, consequente, menor contribuição do mercado nacional.
Em 2019, a estrutura de repartição das dormidas por mercado emissor no total das dormidas evidenciou maior dependência dos mercados externos (60% do total das dormidas) face ao mercado nacional (40% do total das dormidas). Em 2020, bem como em 2021, verificou-se uma inversão desta distribuição, com o mercado nacional a assumir maior representatividade, atingindo cerca de 66% em 2020 (34% do mercado externo), em resultado da forte quebra da procura externa associada à pandemia COVID 19, marcada por um reforço temporário do mercado nacional nesses anos de 2020 e 2021. Com a retoma da mobilidade internacional, os mercados externos recuperaram progressivamente a sua importância, voltando a assumir um papel predominante no total das dormidas a partir de 2022, aumentando progressivamente o seu peso até cerca de 70% em 2025, enquanto a representatividade do mercado nacional diminuiu gradualmente para aproximadamente 30% do total das dormidas.
Figura 6 – Peso das dormidas (%) por mercado emissor (nacional, externos), na generalidade dos meios de alojamento (Total), RAA (2019-2025).
A análise evolutiva mensal da dependência dos mercados internacionais revela um padrão sazonal, com exceção dos anos de 2020 e 2021, bem definido na distribuição mensal das dormidas por origem de mercado. Mais concretamente, durante os meses de inverno, o mercado nacional apresenta maior representatividade no total das dormidas, atingindo os valores mais elevados no início de cada ano; por sua vez, nos meses de verão, os mercados externos assumem uma posição dominante, registando os maiores pesos relativos entre junho e setembro.
Figura 7 – Peso das dormidas (%) por mercados (nacional, externos), na generalidade dos meios de alojamento, RAA (2019-2025).
Este comportamento mantém-se consistente ao longo desta série temporal (2019-2025), observando-se, nos anos mais recentes, um ligeiro aumento da representatividade dos mercados externos, bem como um prolongamento do período em que estes predominam. Paralelamente, verifica-se uma redução do peso relativo do mercado nacional, cuja importância se concentra cada vez mais nos períodos de menor afluência dos mercados internacionais.
A evolução dos principais mercados emissores evidencia alterações na composição da procura turística ao longo do período em análise (2019-2025). O peso do mercado nacional atinge o valor mais elevado em 2020 (cerca de 66%), mantendo-se ainda relativamente elevado em 2021, refletindo o impacto das restrições à mobilidade internacional durante a pandemia. A partir de 2022 observa-se uma redução gradual da sua representatividade, estabilizando em torno dos 30% em 2024 e 2025. Em sentido inverso, os mercados externos recuperam progressivamente a partir de 2022.
Considerando os mercados externos com maior peso, o mercado alemão (DE), em 2025, voltou a assumir a posição de principal mercado externo, representando 11,4% do total de dormidas na generalidade dos meios de alojamento; ao longo do período de 2019 a 2025, e após as oscilações verificadas em 2020 e 2021, teve lugar uma recuperação seguida de estabilização deste mercado, que, nos últimos quatro anos, tem mantido uma representatividade ligeiramente acima dos 11% do total de dormidas. Por outro lado, o mercado norte-americano (US) evidenciou o crescimento mais expressivo nos últimos anos entre os principais mercados externos; após a quebra registada durante a pandemia, iniciou uma trajetória de crescimento a partir de 2022, atingindo, nos últimos três anos, uma representatividade relativamente estável ligeiramente abaixo dos 11% do total de dormidas; além disso, em 2024, destacou-se como o principal mercado externo, ultrapassando, pela primeira vez no período em análise, o mercado alemão. O mercado espanhol (ES) apresentou igualmente uma trajetória de crescimento ao longo do período em análise; após registar uma redução menos significativa em 2020, verificou-se uma subida acentuada a partir de 2021; nos últimos dois anos, este mercado estabilizou, representando quase 10% do total de dormidas. O mercado francês (FR) apresentou uma evolução mais moderada ao longo do período em análise; embora tenha constituído, em 2022 o terceiro mercado externo com maior representatividade, nos anos seguintes manteve uma evolução relativamente estável, conservando uma representatividade próxima dos 6%, passando a ter um peso notoriamente inferior aos três mercados supramencionados (alemão, norte-americano e espanhol).
Figura 8 – Peso das dormidas (%) do mercado nacional e principais mercados externos, na generalidade dos meios de alojamento, RAA (2019-2025).
Uma forte sazonalidade da procura turística é evidenciada pela evolução mensal das dormidas ao longo do período em análise (2019-2025), com os valores mais elevados a ocorrerem de forma consistente durante os meses de verão, sobretudo entre junho e setembro. Em contrapartida, os meses de inverno apresentam uma redução significativa do número de dormidas, refletindo uma menor intensidade da procura turística. Este padrão mantém-se ao longo dos anos, confirmando a elevada concentração da atividade turística nos períodos de maior afluência.
O ano de 2020 destaca-se pela quebra abrupta das dormidas a partir de março, com valores residuais durante vários meses, refletindo o impacto das restrições associadas à pandemia COVID-19. A recuperação inicia-se em 2021, embora ainda com valores inferiores aos observados no período pré-pandemia. A partir de 2022 observa-se uma retoma consistente da procura, com os meses de maior afluência a ultrapassarem progressivamente os níveis registados antes da pandemia.
Em 2023, 2024 e 2025 observa-se uma consolidação da recuperação da procura turística, traduzida no aumento progressivo dos picos de dormidas registados durante os meses de verão. A título de exemplo, em 2025, a maior proporção de dormidas concentrou-se em agosto, representando 16,0% do total anual, correspondente a 10,6% das dormidas do mercado nacional e a 18,3% das dos mercados externos; seguiu-se o mês de julho, com 14,8% do total de dormidas (9,2% no mercado nacional e 17,2% nos mercados externos), e o mês de setembro, com 11,9% (9,7% e 12,8%, respetivamente).
Figura 9 – Distribuição das dormidas para a generalidade dos meios de alojamento, RAA (2019-2025).










