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Serviço Regional de Estatística dos Açores

Estado das Culturas e Previsão das Colheitas – julho 2026

Durante o mês de julho, a ocorrência de dias com muita precipitação e humidade tiveram efeitos distintos nas culturas, favorecendo a disseminação de doenças fúngicas na vinha e na batata do tarde, enquanto algumas culturas, como o milho forragem e as pastagens, beneficiaram do estado do tempo para o seu desenvolvimento vegetativo.

O mês de julho decorreu relativamente frio nos Açores, com temperaturas médias inferiores ao normal para a época em todas as ilhas. A precipitação total foi muito elevada, sobretudo nas ilhas Flores, Graciosa e Corvo, tendo o Pico constituído uma exceção, com valor de precipitação ligeiramente inferior ao habitual.

Quadro 1 – Temperatura e Precipitação no mês de referência

Figura 1 – Temperatura média do ar no mês de referência (ºC)

Figura 2 – Quantidade de Precipitação total no mês de referência (mm)

O valor da temperatura média do ar, em julho, variou entre 20,4 ºC na ilha Terceira e 21,7 ºC na ilha do Corvo; a temperatura mínima mais baixa foi 15,1 ºC, na ilha do Pico, e a máxima mais elevada foi 28,1ºC, também na ilha do Pico.

Quanto à precipitação, neste mês, o valor mais elevado dos totais mensais foi registado na ilha das Flores (196,6 mm) e o valor mais baixo na ilha do Pico (44,0 mm).

Durante o mês de julho, as condições meteorológicas foram bastante favoráveis ao crescimento das pastagens, tendo-se verificado uma produção abundante de erva em todas as ilhas. Consequentemente, as condições alimentares do gado foram boas, permitindo ainda ensilar uma quantidade significativa de excedentes.

Neste mês, a segunda estimativa confirmou que a área destinada à cultura da batata do tarde se manteve em níveis sensivelmente iguais aos do ano passado, registando-se apenas uma ligeira diminuição na ilha de São Jorge (-5%). Embora esta cultura tivesse apresentado um bom desenvolvimento vegetativo, a frequência de dias com humidade muito elevada favoreceu o desenvolvimento de doenças fúngicas.

Quadro 2 – Áreas de Sementeira ou Plantação no mês de referência

A elevada precipitação verificada durante o mês de julho exerceu uma influência muito positiva na cultura do milho, tanto para forragem como para grão. Ambas as culturas apresentaram um muito bom desenvolvimento vegetativo, prevendo- se uma produção dentro dos parâmetros normais em todas as ilhas onde se encontram instaladas, com exceção das ilhas Faial e Pico, onde se estimou uma produção superior ao normal (+20% e +10% respetivamente). Comparativamente com o ano anterior, ambas as culturas apresentaram níveis de produção superiores nas ilhas Faial (+20%), São Jorge (+15%) e Pico (+10%), enquanto nas restantes ilhas os níveis de produção foram sensivelmente idênticos. Refira-se ainda a recuperação da cultura do milho forragem na ilha Graciosa, que no mês passado, apresentava um desenvolvimento vegetativo bastante fraco, devido à escassez de precipitação nesta ilha durante o mês de junho.

Em julho, a cultura do chá continuou a beneficiar do estado do tempo, apresentando um bom desenvolvimento vegetativo, mantendo-se a previsão de uma produtividade dentro dos parâmetros de um ano considerado normal e semelhante à registada no ano anterior.

Neste mês, a elevada precipitação e humidade não foram benéficas para a cultura da vinha, favorecendo o aparecimento de doenças fúngicas, apesar do reforço dos tratamentos à cultura por parte de muitos produtores. Assim, estima-se que a produção possa ser inferior ao normal em todas as ilhas, esperando se uma quebra acentuada nas ilhas Santa Maria (-25%) e São Jorge (-20%), seguidas da Terceira e Graciosa (-10%) e de São Miguel e Pico (-5%). Relativamente ao ano anterior, antevê-se uma produção global ligeiramente inferior em todas as ilhas, com uma quebra mais acentuada nas ilhas Graciosa e São Jorge (-10%), face às restantes ilhas (-5%).

A cultura da banana apresentou, na maioria das ilhas, um aspeto vegetativo dentro do normal, embora ligeiramente mais fraco nas ilhas Santa Maria e Pico (-5%). Importa ainda referir que, na ilha de São Jorge, o estado da cultura foi pouco satisfatório, prevendo-se uma quebra considerável na produção relativamente ao normal (-20%), devido sobretudo ao ataque de pragas. Em relação ao ano anterior, prevê- se uma produção sensivelmente igual em todas as ilhas, exceto nas ilhas São Jorge (-15%) e Pico (-5%).

Quadro 3 – Estado das Culturas no mês de referência 

De forma geral, em julho, confirma-se a estimativa do mês passado relativa à produção de batata do cedo, tendo-se obtido na maioria das ilhas uma produção dentro dos parâmetros considerados normais, e ligeiramente superior nas ilhas Santa Maria e São Jorge (+5%). Por outro lado, na ilha do Pico, apesar da produção não ter atingido o nível normal (-10%), a previsão foi revista em alta face à estimativa do mês anterior. Comparativamente ao ano passado, estima-se que a produção global aumente na ilha de Santa Maria (+25%), diminua nas ilhas do Pico (-10%) e São Jorge (-5%) e se mantenha em níveis semelhantes aos registados no ano anterior nas restantes ilhas.

Quadro 4 – Colheitas no mês de referência

Nota metodológica

Introdução

O Estado das Culturas e Previsão das Colheitas (ECPC) é um projeto mensal que disponibiliza informação de carácter previsional, relativamente a áreas, rendimentos e produções das principais culturas dos Açores.

A abrangência da operação estatística, no âmbito da produção vegetal é relativamente vasta, permitindo o acompanhamento das principais culturas.

Recolha

A recolha da informação junto das explorações agrícolas é feita de forma sistematizada garantindo a cobertura espacial e heterogeneidade cultural adequada, e promovendo contatos regulares com os agricultores representativos da realidade agrícola da área de atuação. As hortas familiares não são consideradas.

As fontes de informação, constituem mais um dos vetores sobre os quais assenta a recolha, exigindo um esforço contínuo no sentido de avaliar a representatividade e credibilidade das fontes contactadas e garantir que este inventário acompanhe a evolução dos agentes económicos acreditados regionalmente. Estas fontes incluem: peritos regionais, cooperativas agrícolas, associações de agricultores, empresas do ramo agroindustrial, organismos de intervenção agrícola e de coordenação e estruturas de mercado (empresas de serviços e assistência técnica, nomeadamente as relativas à venda de fatores de produção).

A recolha assenta ainda na observação direta da paisagem.

Tratamento de Informação Quantitativa

O tratamento da informação tem como base, os dados disponíveis referentes à área, rendimento e produção do ano anterior (n-1), por cultura.

A informação deverá ser transmitida através de índices correspondentes às variações, relativas ao ano anterior (n-1), de áreas (apenas para as culturas temporárias), rendimentos das culturas e produções, segundo um calendário cultural. Para os rendimentos e produções é produzida também informação, através de números índice, relativamente a um ano considerado normal.

Índice 100 – Área homóloga do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma área inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.

Índice 100 – Produção global do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.

Índice 100 – Produção considerada normal: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à de um ano considerado normal.

Tratamento de Informação Qualitativa

Aos informadores é solicitada a abordagem de aspetos determinantes da conjuntura agrícola, como a influência das condições climatéricas, fitossanidade e outros assuntos que possam ser considerados relevantes, relacionando-os com o estado das culturas.

Sinais convencionais

– – Dado nulo ou não aplicável

x – Dado não disponível

‘ – 1.ª Estimativa

‘’ – 2.ª Estimativa

Próxima data de divulgação: 24 de Setembro de 2026
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