Apesar das condições meteorológicas desfavoráveis, no final do mês de fevereiro, o aspeto vegetativo das pastagens começou a apresentar melhoria, embora sejam visíveis sinais de excesso de água no solo e um crescimento vegetativo fraco.
O mês de fevereiro foi relativamente quente, registando-se, em todo o arquipélago, temperaturas médias do ar ligeiramente mais elevadas que o habitual para a época. Este mês caracterizou-se pela passagem de várias depressões atmosféricas pelo arquipélago, que provocaram vento, agitação marítima forte e precipitação intensa. A precipitação foi elevada e frequente em todas as ilhas, exceto na ilha de Santa Maria.
Quadro 1 – Temperatura e Precipitação no mês de referência
Figura 1 – Temperatura média do ar no mês de referência (ºC)
Figura 2 – Quantidade de Precipitação total no mês de referência (mm)
O valor da temperatura média do ar variou entre 14,9 ºC, na ilha Terceira, e 16,0 ºC, na ilha do Pico; a temperatura mínima mais baixa foi 7,6 ºC, na ilha do Corvo, e a máxima mais elevada foi 20,7 ºC, na ilha do Pico.
Quanto à precipitação, o valor mais elevado dos totais mensais foi registado na ilha das Flores (222,2 mm) e o valor mais baixo na ilha de Santa Maria (53,7 mm).
Apesar das condições atmosféricas adversas de fevereiro, que não foram particularmente benéficas para as pastagens, especialmente para as localizadas em zonas de maior altitude, no final do mês, o aspeto vegetativo das pastagens começou a melhorar, embora ainda se manifestem sinais de encharcamento e um crescimento vegetativo fraco. Como é habitual nesta época do ano, houve necessidade de suplementar a alimentação do gado bovino com recurso a alimentos conservados e concentrados.
Na maioria das ilhas, a cultura do inhame apresentou um aspeto vegetativo semelhante aos parâmetros considerados normais para a época, ainda que as folhas das plantas denotem alguns danos causados pelo vento. Em particular, nas ilhas Santa Maria, Flores e Terceira, observou-se um crescimento um pouco mais reduzido das folhas, prevendo-se, assim, que as respetivas produções sejam inferiores ao considerado normal. Comparativamente com o ano anterior, espera-se uma produção global superior na ilha de Santa Maria e, em sentido oposto, inferior na ilha Terceira, enquanto nas outras ilhas se prevê uma produção global semelhante à obtida no ano passado.
Quadro 2 – Estado das culturas no mês de referência
Quanto à colheita de batata-doce, estima-se que a produção se situe dento dos parâmetros habituais, com exceção das ilhas Flores, Santa Maria e Terceira, onde se antevê índices de produção inferiores — no caso concreto da ilha das Flores, prevê-se uma produção manifestamente inferior ao esperado, com aproximadamente 80% da produção obtida num ano considerado padrão. Adicionalmente, nesta primeira estimativa, espera-se que a produção global de batata-doce seja idêntica à do ano anterior em todas as ilhas, com exceção das ilhas Flores e Terceira com estimativas de produção global inferiores à do ano precedente.
Quadro 3 – Colheitas no mês de referência
Nota metodológica
Introdução
O Estado das Culturas e Previsão das Colheitas (ECPC) é um projeto mensal que disponibiliza informação de carácter previsional, relativamente a áreas, rendimentos e produções das principais culturas dos Açores.
A abrangência da operação estatística, no âmbito da produção vegetal é relativamente vasta, permitindo o acompanhamento das principais culturas.
Recolha
A recolha da informação junto das explorações agrícolas é feita de forma sistematizada garantindo a cobertura espacial e heterogeneidade cultural adequada, e promovendo contatos regulares com os agricultores representativos da realidade agrícola da área de atuação. As hortas familiares não são consideradas.
As fontes de informação, constituem mais um dos vetores sobre os quais assenta a recolha, exigindo um esforço contínuo no sentido de avaliar a representatividade e credibilidade das fontes contactadas e garantir que este inventário acompanhe a evolução dos agentes económicos acreditados regionalmente. Estas fontes incluem: peritos regionais, cooperativas agrícolas, associações de agricultores, empresas do ramo agroindustrial, organismos de intervenção agrícola e de coordenação e estruturas de mercado (empresas de serviços e assistência técnica, nomeadamente as relativas à venda de fatores de produção).
A recolha assenta ainda na observação direta da paisagem.
Tratamento de Informação Quantitativa
O tratamento da informação tem como base, os dados disponíveis referentes à área, rendimento e produção do ano anterior (n-1), por cultura.
A informação deverá ser transmitida através de índices correspondentes às variações, relativas ao ano anterior (n-1), de áreas (apenas para as culturas temporárias), rendimentos das culturas e produções, segundo um calendário cultural. Para os rendimentos e produções é produzida também informação, através de números índice, relativamente a um ano considerado normal.
Índice 100 – Área homóloga do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma área inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.
Índice 100 – Produção global do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.
Índice 100 – Produção considerada normal: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à de um ano considerado normal.
Tratamento de Informação Qualitativa
Aos informadores é solicitada a abordagem de aspetos determinantes da conjuntura agrícola, como a influência das condições climatéricas, fitossanidade e outros assuntos que possam ser considerados relevantes, relacionando-os com o estado das culturas.
Sinais convencionais
– – Dado nulo ou não aplicável
x – Dado não disponível
‘ – 1.ª Estimativa
‘’ – 2.ª Estimativa




