A passagem de várias depressões pelo arquipélago dos Açores causou ventos fortes e precipitação, por vezes elevada, não causando prejuízos significativos nas culturas da época.
O mês de janeiro caraterizou-se pela passagem de várias depressões pelo arquipélago dos Açores, que provocaram a ocorrência de ventos e agitação marítima fortes. Embora algumas das depressões tenham vindo acompanhadas por precipitação, por vezes intensa, a quantidade mensal de precipitação total situou-se dentro do normal na maioria das ilhas, exceto nas ilhas do grupo oriental — a registarem níveis de precipitação mensal mais reduzidos. A temperatura média do ar foi ligeiramente mais elevada que o habitual para a época, na generalidade das ilhas.
Quadro 1 – Temperatura e Precipitação no mês de referência
Figura 1 – Temperatura média do ar no mês de referência (ºC)
Figura 2 – Quantidade de Precipitação total no mês de referência (mm)
O valor da temperatura média do ar variou entre 14,6 ºC na ilha Terceira e 15,5 ºC nas ilhas Santa Maria e Corvo; a temperatura mínima mais baixa foi 6,7 ºC, na ilha do Corvo, e a máxima mais elevada foi 20,0 ºC, na ilha das Flores.
Quanto à precipitação, o valor mais elevado dos totais mensais foi registado na ilha das Flores (195,5 mm) e o valor mais baixo na ilha de Santa Maria (47,8 mm).
O estado do tempo verificado durante o mês de janeiro não foi muito favorável às pastagens, principalmente as situadas a maior altitude. As restantes culturas, poucas nesta época do ano, não foram muito afetadas.
As pastagens apresentaram um aspeto vegetativo razoável, dentro do normal para a época, embora penalizadas pelas condições climáticas adversas ocorridas nas zonas de maior altitude, nomeadamente devido à precipitação e ventos fortes, onde se observaram danos causados pelo encharcamento e pisoteio. Como é habitual nesta altura do ano, devido à menor produção das pastagens, houve necessidade de suplementar a alimentação do gado bovino, com recurso a alimentos conservados e concentrados.
A elevada rusticidade das culturas do inhame e da batata-doce, e a sua boa adaptação a ambientes húmidos, conferem-lhes boa capacidade de resistência a condições meteorológicas adversas, tais como períodos de precipitação elevada e ventos fortes. Embora nalguns locais as folhas das plantas evidenciem danos causados pelo vento, na generalidade, o aspeto vegetativo destas culturas, em todas as ilhas, situa‑se semelhante ou próximo dos parâmetros considerados normais.
Comparativamente ao ano anterior, espera-se que a produção global de inhame seja superior na ilha de Santa Maria e inferior na ilha Terceira, prevendo-se nas restantes ilhas uma produção semelhante à obtida no ano passado. Para a batata-doce espera-se uma produção semelhante à obtida no ano passado em todas as ilhas, embora ligeiramente inferior na ilha Terceira.
Quadro 2 – Estado das culturas no mês de referência
A produção de laranja (2.ª estimativa) foi um pouco inferior à inicialmente prevista, devido ao vento forte que provocou a queda de frutos, além de partir ramos de árvores e abrigos. Embora nas ilhas São Miguel e Faial, a produção se tenha mantido dentro dos parâmetros habituais, nas restantes ilhas registou‑se uma ligeira quebra, mais acentuada nas ilhas Graciosa e Flores.
Quadro 3 – Colheitas no mês de referência
Nota metodológica
Introdução
O Estado das Culturas e Previsão das Colheitas (ECPC) é um projeto mensal que disponibiliza informação de carácter previsional, relativamente a áreas, rendimentos e produções das principais culturas dos Açores.
A abrangência da operação estatística, no âmbito da produção vegetal é relativamente vasta, permitindo o acompanhamento das principais culturas.
Recolha
A recolha da informação junto das explorações agrícolas é feita de forma sistematizada garantindo a cobertura espacial e heterogeneidade cultural adequada, e promovendo contatos regulares com os agricultores representativos da realidade agrícola da área de atuação. As hortas familiares não são consideradas.
As fontes de informação, constituem mais um dos vetores sobre os quais assenta a recolha, exigindo um esforço contínuo no sentido de avaliar a representatividade e credibilidade das fontes contactadas e garantir que este inventário acompanhe a evolução dos agentes económicos acreditados regionalmente. Estas fontes incluem: peritos regionais, cooperativas agrícolas, associações de agricultores, empresas do ramo agroindustrial, organismos de intervenção agrícola e de coordenação e estruturas de mercado (empresas de serviços e assistência técnica, nomeadamente as relativas à venda de fatores de produção).
A recolha assenta ainda na observação direta da paisagem.
Tratamento de Informação Quantitativa
O tratamento da informação tem como base, os dados disponíveis referentes à área, rendimento e produção do ano nterior (n-1), por cultura.
A informação deverá ser transmitida através de índices correspondentes às variações, relativas ao ano anterior (n-1), de áreas (apenas para as culturas temporárias), rendimentos das culturas e produções, segundo um calendário cultural. Para os rendimentos e produções é produzida também informação, através de números índice, relativamente a um ano considerado normal.
Índice 100 – Área homóloga do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma área inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.
Índice 100 – Produção global do ano anterior: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à do ano anterior.
Índice 100 – Produção considerada normal: um valor menor, igual ou maior que 100 significa uma produção inferior, semelhante ou superior, respetivamente, à de um ano considerado normal.
Tratamento de Informação Qualitativa
Aos informadores é solicitada a abordagem de aspetos determinantes da conjuntura agrícola, como a influência das condições climatéricas, fitossanidade e outros assuntos que possam ser considerados relevantes, relacionando-os
com o estado das culturas.
Sinais convencionais
– – Dado nulo ou não aplicável
x – Dado não disponível
‘ – 1.ª Estimativa
‘’ – 2.ª Estimativa




